29 de ago. de 2010

O Lixo - Luís Fernando Veríssimo

"Encontram-se na área de serviço. Cada um com seu pacote de lixo. É a primeira vez que se falam.
- Bom dia...
- Bom dia.
- A senhora é do 610.
- E o senhor do 612
- É.
- Eu ainda não lhe conhecia pessoalmente...
- Pois é...
- Desculpe a minha indiscrição, mas tenho visto o seu lixo...
- O meu quê?
- O seu lixo.
- Ah...
- Reparei que nunca é muito. Sua família deve ser pequena...
- Na verdade sou só eu.
- Mmmm. Notei também que o senhor usa muito comida em lata.
- É que eu tenho que fazer minha própria comida. E como não sei cozinhar...
- Entendo.
- A senhora também...
- Me chame de você.
- Você também perdoe a minha indiscrição, mas tenho visto alguns restos de comida em seu lixo. Champignons, coisas assim...
- É que eu gosto muito de cozinhar. Fazer pratos diferentes. Mas, como moro sozinha, às vezes sobra...
- A senhora... Você não tem família?
- Tenho, mas não aqui.
- No Espírito Santo.
- Como é que você sabe?
- Vejo uns envelopes no seu lixo. Do Espírito Santo.
- É. Mamãe escreve todas as semanas.
- Ela é professora?
- Isso é incrível! Como foi que você adivinhou?
- Pela letra no envelope. Achei que era letra de professora.
- O senhor não recebe muitas cartas. A julgar pelo seu lixo.
- Pois é...
- No outro dia tin ha um envelope de telegrama amassado.
- É.
- Más notícias?
- Meu pai. Morreu.
- Sinto muito.
- Ele já estava bem velhinho. Lá no Sul. Há tempos não nos víamos.
- Foi por isso que você recomeçou a fumar?
- Como é que você sabe?
- De um dia para o outro começaram a aparecer carteiras de cigarro amassadas no seu lixo.
- É verdade. Mas consegui parar outra vez.
- Eu, graças a Deus, nunca fumei.
- Eu sei. Mas tenho visto uns vidrinhos de comprimido no seu lixo...
- Tranqüilizantes. Foi uma fase. Já passou.
- Você brigou com o namorado, certo?
- Isso você também descobriu no lixo?
- Primeiro o buquê de flores, com o cartãozinho, jogado fora. Depois, muito lenço de papel.
- É, chorei bastante, mas já passou.
- Mas hoje ainda tem uns lencinhos...
- É que eu estou com um pouco de coriza.
- Ah.
- Vejo muita revista de palavras cruzadas no seu lixo.
- É. Sim. Bem. Eu fico muito em casa. Não saio muito. Sabe como é.
- Namorada?
- Não.
- Mas há uns dias tinha uma fotografia de mulher no seu lixo. Até bonitinha.
- Eu estava limpando umas gavetas. Coisa antiga.
- Você não rasgou a fotografia. Isso significa que, no fundo, você quer que ela volte.
- Você já está analisando o meu lixo!
- Não posso negar que o seu lixo me interessou.
- Engraçado. Quando examinei o seu lixo, decidi que gostaria de conhecê-la. Acho que foi a poesia.
- Não! Você viu meus poemas?
- Vi e gostei muito.
- Mas são muito ruins!
- Se você achasse eles ruins mesmo, teria rasgado. Eles só estavam dobrados.
- Se eu soubesse que você ia ler...
- Só não fiquei com eles porque, afinal, estaria roubando. Se bem que, não sei: o lixo da pessoa ainda é propriedade dela?
- Acho que não. Lixo é domínio público.
- Você tem razão. Através do lixo, o particular se torna público. O que sobra da nossa vida privada se integra com a sobra dos outros. O lixo é comunitário. É a nossa parte mais social. Será isso?
- Bom, aí você já está indo fundo demais no lixo. Acho que...
- Ontem, no seu lixo...
- O quê?
- Me enganei, ou eram cascas de camarão?
- Acertou. Comprei uns camarões graúdos e descasquei.
- Eu adoro camarão.
- Descasquei, mas ainda não comi. Quem sabe a gente pode...
- Jantar juntos?
- É.
- Não quero dar trabalho.
- Trabalho nenhum.
- Vai sujar a sua cozinha?
- Nada. Num instante se limpa tudo e põe os restos fora.
- No seu lixo ou no meu?"

Fonte: http://7leitores.blogspot.com/2008/07/o-lixo-luis-fernando-verssimo.html

25 de ago. de 2010

Hardvolts dia 27/08/10 no Rota 66!

Para o pessoal de Fortaleza que curte AC/DC, aí está uma ótima pedida para o final de semana.

Cante AC/DC e ganhe uma cerva!!

No show da Hardvolts, dia 27/08 no Rota 66, cante Ac/Dc e ganhe uma cerva!
Ainda com o karaoke dos infernos vc canta Ac/DC e ganha uma cerva, mas tem q cantar, não vale imbromationn!
Mostre que vc curte mesmo a parada!!!
Quem sabe o seu caminho está próximo para o topo do Rock'n'Roll!!! 
 

E mais: Ganhe cortesias para o show do Rota!!

Concorra a cortesias para o show do ROTA!
Nos desculpem os marmanjos mas a promoção desta vez é válida apenas para as garotas. Para concorrer a uma cortesia você deve postar um depoimento no orkut da banda http://www.orkut.com.br/Main#Profile?uid=9528334841487530183&rl=t respondendo a seguinte pergunta: Que declaração você faria para o Bon Scott se o visse na sua frente em carne e osso?
Só serão aceitas as respostas por depoimento.
Serão 5 cortesias para as 5 melhores respostas! Envie a sua e concorra já! 
 
O Rota 66 fica na Travessa Manuel Maia,100 (esquina com a AV. Soriano Albuquerque) Bairo Joaquim Távora
TEL: 3023 3566 - 8821 597


24 de ago. de 2010

Diga não às drogas !!!!! (Luiz Fernando Veríssimo)

Gente, não deixem de ler o texto abaixo. Digam sempre não às drogas!!                                                
Depoimento emocionado de Luiz Fernando Veríssimo sobre sua experiência com as Drogas.

"Tudo começou quando eu tinha uns 14 anos e um amigo chegou com aquele papo de "experimenta, depois, quando você quiser, é só parar..." e eu fui na dele. Primeiro ele me ofereceu coisa leve, disse que era de "raiz", "da terra", que não fazia mal, e me deu um inofensivo disco do "Chitãozinho e Xororó" e em seguida um do "Leandro e Leonardo". Achei legal, coisa bem brasileira; mas a parada foi ficando mais pesada, o consumo cada vez mais freqüente, comecei a chamar todo mundo de "Amigo" e acabei comprando pela primeira vez.
Lembro que cheguei na loja e pedi:
- Me dá um CD do Zezé de Camargo e Luciano.
Era o princípio de tudo!
Logo resolvi experimentar algo diferente e ele me ofereceu um CD de Axé.
Ele dizia que era para relaxar; sabe, coisa leve... "Banda Eva", "Cheiro de
Amor", "Netinho", etc.
Com o tempo, meu amigo foi oferecendo coisas piores: "É o Tchan", "Companhia do Pagode", "Asa de Águia" e muito mais. Após o uso contínuo eu já não queria mais saber de coisas leves, eu queria algo mais pesado, mais desafiador, que me fizesse mexer a bunda como eu nunca havia mexido antes, então, meu "amigo" me deu o que eu queria, um Cd do "Harmonia do Samba".
Minha bunda passou a ser o centro da minha vida, minha razão de existir.
Eu pensava por ela, respirava por ela, vivia por ela!
Mas, depois de muito, a droga perde efeito, e você começa a querer cada
vez mais, mais, mais . . . Comecei a freqüentar o submundo e correr atrás das paradas. Foi a partir daí que começou a minha decadência. Fui ao show de encontro dos grupos "Karametade" e "Só pra Contrariar", e até comprei a Caras que tinha o "Rodriguinho" na capa.
Quando dei por mim, já estava com o cabelo pintado de loiro, minha mão
tinha crescido muito em função do pandeiro, meus polegares já não se mexiam por eu passar o tempo todo fazendo sinais de positivo.
Não deu outra: entrei para um grupo de Pagode.
Enquanto vários outros viciados cantavam uma "música" que não dizia nada,
eu e mais 12 infelizes dançávamos alguns passinhos ensaiados, sorriamos e
fazíamos sinais combinados. Lembro-me de um dia quando entrei nas lojas Americanas e pedi a coletânea "As Melhores do Molejão". Foi terrível!! Eu já não pensava mais!! Meu senso crítico havia sido dissolvido pelas rimas "miseráveis" e letras pouco arrojadas.
Meu cérebro estava travado, não pensava em mais nada. Mas a fase negra
ainda estava por vir. Cheguei ao fundo do poço, no limiar da condição humana, quando comecei a escutar "Popozudas", "Bondes", "Tigrões", "Motinhas" e "Tapinhas".
Comecei a ter delírios, a dizer coisas sem sentido. Quando saia a noite para as festas pedia tapas na cara e fazia gestos obscenos. Fui cercado por outros drogados, usuários das drogas mais estranhas; uns nobres queriam me mostrar o "caminho das pedras", outros extremistas preferiam o "caminho dos templos".
Minha fraqueza era tanta que estive próximo de sucumbir aos radicais e
ser dominado pela droga mais poderosa do mercado: a droga limpa.
Hoje estou internado em uma clínica. Meus verdadeiros amigos fizeram a
única coisa que poderiam ter feito por mim. Meu tratamento está sendo muito duro: doses cavalares de Rock, MPB, Progressivo e Blues. Mas o meu médico falou que é possível que tenham que recorrer ao Jazz e até mesmo a Mozart e Bach.
Queria aproveitar a oportunidade e aconselhar as pessoas a não se entregarem a esse tipo de droga. Os traficantes só pensam no dinheiro. Eles
não se preocupam com a sua saúde, por isso tapam sua visão para as coisas boas e te oferecem drogas.
Se você não reagir, vai acabar drogado: alienado, inculto, manobrável,
consumível, descartável e distante; vai perder as referências e definhar
mentalmente.
Em vez de encher a cabeça com porcaria, pratique esportes e, na dúvida, se não puder distinguir o que é droga ou não, faça o seguinte:
* Não ligue a TV no Domingo a tarde;
* Não escute nada que venha de Goiânia ou do Interior de São Paulo;
* Não entre em carros com adesivos "Fui ... "
* Se te oferecerem um CD, procure saber se o suspeito foi ao programa da
Hebe ou se apareceu no Sabadão do Gugu;
* Mulheres gritando histericamente é outro indício;
* Não compre nenhum CD que tenha mais de 6 pessoas na capa;
* Não vá a shows em que os suspeitos façam gestos ensaiados;
* Não compre nenhum CD que a capa tenha nuvens ao fundo;
* Não compre qualquer CD que tenha vendido mais de 1 milhão de cópias
no Brasil; Não escute nada que o autor não consiga uma concordância verbal mínima.
* Mas, principalmente, duvide de tudo e de todos.
A vida é bela! Eu sei que você consegue! Diga não às drogas."

22 de ago. de 2010

Vida Apressada - Douglas Tufano

Essa crônica do Tufano já diz tudo, nem preciso comentar!! Retrato fiel da maioria das pessoas hoje em dia.

"Vocês já repararam que ninguém mais, hoje em dia, tem tempo? Mal levantamos da cama e já estamos atrasados!

O dia parece cada vez mais curto. Corremos de manhã até a noite e para tudo temos um horário apertado: falamos rapidamente ao telefone (não podemos perder tempo!), conversamos rapidamente com nossos filhos (não podemos perder tempo!), batucamos impacientes na mesinha do computador porque a conexão vai demorar trinta segundos (não podemos perder tempo!), enfiamos a comida na boca sem sentir bem o sabor dos alimentos (não podemos perder tempo!), engolimos o café e queimamos a língua porque ele demora a esfriar (não podemos perder tempo!), damos uma olhada no jornal, pulando páginas, misturando tudo (não podemos perder tempo!)... Afinal, para que queremos tempo?

Foi observando essa verdadeira obsessão com o tempo que comecei a refletir sobre a importância de se trabalhar esse assunto com os alunos. Porque eles também parecem não ter tempo para mais nada. A agenda de tarefas e compromissos dos nossos alunos é assombrosa! E parece que os pais não podem ver uma brechinha que já inventam alguma atividade, porque seus filhos "não podem perder tempo"! E assim vamos ensinando essa correria aos jovens, que começam a pensar que isso é que é normal. Se virem uma pessoa fazendo as coisas com calma, comendo devagar, lendo um livro página por página, conversando tranqüilamente... vão pensar que se trata de um extraterrestre.

E, no entanto, é preciso mostrar a eles que há uma outra forma de viver. Que certas coisas, para serem prazerosas ou proveitosas, devem ser feitas sem pressa. Conversar em família, por exemplo, é uma delas. Não se pode conversar, trocar confidências, curtir a presença uns dos outros, olhando toda hora para o relógio, com a sensação de "estar perdendo tempo".

Dou aulas de leitura e vejo que um dos obstáculos para a boa compreensão de textos é a pressa com que muitos alunos lêem. Parece que fazem uma competição para ver quem termina mais depressa. Por isso, peço que leiam mais devagar, que prestem atenção no que estão lendo, que meditem ou reflitam sobre o tema. Percebo que muitos deles começam a se impacientar — querem acabar logo, não importa a qualidade do trabalho, o importante é chegar logo ao fim... Com esses, é preciso um longo trabalho de reeducação. Mas nós, os professores, precisamos dar o exemplo. E não só os professores. Todos aqueles que se relacionam com os alunos precisam mostrar que têm tempo, sim, para conversar e ouvir com calma. É preciso também respeitar o ritmos individuais e não submeter a maioria dos alunos ao ritmo dos mais apressados. Na vida, como na escola, nem sempre os mais apressados são os mais eficientes.

O tempo é um bem muito precioso. Gastá-lo numa agitação frenética e sem sentido não é uma forma inteligente de viver. Saibamos reservar tempo para os momentos mais importantes da nossa vida, para que, mais tarde, não venhamos a nos arrepender de não ter dito uma certa palavra, de não ter feito um certo gesto, de não ter tido uma certa conversa, porque não tivemos tempo..."

Fonte:http://douglastufano.multiply.com/reviews

17 de ago. de 2010

A cidade do sol!!

Bom, como falei que ia tentar levar um pouco de cultura às pessoas, começarei indicando um livro que li recentemente e amei muuuuuuuuito. Se chama "A cidade do sol", de Khaled Hosseni, o mesmo autor do "Caçador de Pipas". O livro é simplesmente fantástico. Me emocionei muito durante a leitura, até chorei, kkkkk. Foi um dos poucos livros que conseguiram me fazer chorar. O Caçador de Pipas também conseguiu mexer comigo assim. Muito bons todos dois.

Como diz na orelha do livro,  "A cidade do sol conta a história de duas mulheres muito diferentes, Laila e Mariam, que se encontram em meio ao caos da intolerância, das tradições distorcidas, da guerra contra tudo o que genuinamente somos. São protagonistas unidas para sempre, pelo desejo de superar o sofrimento e o medo, vencer a opressão, e encontrar a felicidade."

Vale muito a pena conferir!!

Os outro livros que me fizeram chorar, fora A cidade do sol e O caçador de pipas acima citados, foram: O Quinze (Rachel de Queiroz) e Capitães da Areia (Jorge Amado).

Cada um mais maravilhoso que o outro.